quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Síndrome de Cotard




E o que resta,
Quando nada existe?

Não me vejo,
Mesmo quando o meu reflexo
Brilha no espelho
A que chamo de alma.

Não me sinto,
Mesmo quando o meu toque
Refresca no corpo
A que apelido de mágoa.

Não me oiço,
Mesmo quando a minha voz
Ressoa no eco
A que aclamo de dor.

Acredito na minha existência,
Vivendo na sombra,
Do que outrora
Não fui.

Olho para mim,
E nada vejo.
Falo,
Mas nada oiço.
Toco,
Mas nada sinto.

Sou uma capa,
Um involucro,
Uma teia,
Um casulo.

Sou o que queres ver,
Menos o que acreditas.
E quando me retiras tu,
Resto eu.

 
2015

 

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