quinta-feira, 4 de junho de 2015

Tempus


Pergunto-me que dia será hoje
Seguindo os meus passos no calendário
Poeirento que guardo na minha mente
Poluída por pensamentos menos triviais
Do que a data que nem sequer me importa saber.

Escondo-me em mim,
Revolto-me comigo,
E deixo-me desistir,
Só para ter o prazer de vencer
A mim mesma.

Engraçado como quão cruel pode ser
A nossa alma
Quando nada nos apraz mais

Deixamo-nos esvoaçar,
Partindo o ar em dois
Escolhendo uma das metades
De um mundo invisível
Construído em dor e desprezo,
Luxuria e desejo.

Escondo-me,
Em mim,
De mim.

Perco,
Para mim
Venço,
De mim.

Ah como alegre devo ser!
Se só de mim
Preciso para viver.

Esmago as memórias,
Empresto as emoções,
Descolo os pensamentos,
Entrego a minha mente,
Partilho a minha alma.

Comigo.

Triste é o ser,
Que no meio de um mundo cheio de gente,
Se sente único, vulgar.

Não há pior coisa do que ser vulgar.
Invisível.
Mas ser mais que isso,
Muito anseia,
Quem nunca o foi,
Pouco o quer,
Quem passou a vida a sê-lo.

Deixo-me entregue a mim,
Na esperança que o meu id
Me rapte,
Me veja,
Me queira.

Ah ego ruim!
As minhas entranhas revoltam-se,
Pensando no que poderiam ser.
Mas não são.
E novamente a guerra rebenta,
A bala é disparada,
E a minha cabeça dilacerada.

Quero-te.
Quero-me.

Vens?


2015

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