sexta-feira, 15 de abril de 2016

Animus Rem Sibi Habendi

Naquele momento, pensei em possuir-te.
Quis entrar dentro de ti, como nunca ninguém entrou,
Desmantelar-te, pedaço por pedaço, e voltar a montar-te, só para te eviscerar de novo.
Quis violentar cada pensamento teu,
Penetrar em cada emoção, em cada sorriso, em cada olhar.
Quis destruir qualquer medo, Possuir-te por completo.
Quis-te.
Devagar, como quem começa uma dança a medo,
E que vai acelerando, ardendo num desejo de proximidade,
De unicidade, de canibalismo verbal, Pleonasmo do prazer.
Quis-te.
Porra, nem as palavras que me diriges
Tenho a pretensão de serem minhas, não.
Mas naquele momento, Eu quis.
Aquela vontade louca de me encontrar dentro de ti,
De devorar o teu calor, De me sentir tua.
Quis desaparecer em ti,
Quis arrancar à paixão o sexo,
E ao sexo a paixão.
Não que geralmente te ame, não:
Amo-te unicamente quando te possuo.
Em bela verdade, amo possuir-te.
Apaixono-me por ti frequentemente, lentamente, sem pressa…
E desapaixono-me violentamente, numa explosão carnal, numa confissão improvisada,
De um amor inexistente.
E naquele momento…
Apaixonei-me mais uma vez.
E desapaixonei-me de novo.

Até ao momento seguinte.
2016



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