domingo, 11 de outubro de 2015

Ser poeta




 
Abraçam-me as dores da vitória,
Vitória que canta tristemente a verdade,
A verdade da mentira,
Mentira que te corrói o espírito frágil,
Frágil dor honesta da simpatia,
Simpatia falsa da felicidade.

Némesis do tempo,
Tempo da apoteótica tempestade,
Tempestade aclamada em rios,
Rios germinados em fontes,
Fontes de lágrimas por deitar.

Ser poeta não é mais,
Mais que queimar o sol
Sol das gotas da chuva,
Chuva que chora o riso perdido,
Perdido no mar da saudade pensativa.

Não sentir o que se sente,
Sente o que não quer,
Quer o que mais não pode ser.
Ser poeta é.
2015

[Campeonato Nacional de Poesia - Jornada V]
   
[Avaliado com 41 pontos em 45 possíveis]

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