terça-feira, 29 de setembro de 2015

Némesis





Seria tão bem mais feliz sem mim.
(Mentes com quantos dentes tens na boca)
Sem mim em ti, sem ti em mim. Seria miserável, mas feliz.
(Deixa-te de merdas)
Quase que odeio o teu apreço por mim, quase tanto quanto odeio não te conseguir odiar.
(E desde quando te fazes de vitima?)
E apetecia-me - Oh Deus, como me apetecia!- dizer-te adeus.
(Pára de dizer merda)
Aquele monstro, a que chamo sentimento - mesmo quando nada sinto.
(E o que raio sentes, afinal?)
Será mais assustador quando não existe, ou quando existe sem querer?
(Tu queres que exista.)
Irá gritar ele por mim, tanto quanto grito eu por ele?
(Deixa-te de fitas)
Ai caraças, se a ingenuidade matasse!
(Mas que porra sabes tu, diz-me lá?)
Que merda tens tu, que pensas que podes chegar e partir, quando bem te aprouver?
(A mesma que te faz pensar que te podes queixar disso, quando o permites.)
Gostaria eu de ser metade (talvez nem isso) daquilo que julgas que és!
(Eu sou tu, em dobro.)
Chegas, gritas, choras, sorris, bates, arranhas, puxas e empurras, deixas marcas e ainda mandas gargalhadas!
(E porque me deixas fazer isso? Pior ainda, porque me acompanhas?)
Para no fim, te ires embora. Sem dó, nem piedade. Que monstro és tu?
(E a ti, que mãe te pariu?)
Juro, e prometo (jurando), que se não te chamasses amor, iria chamar-te de dor!
(Chama-me pelo teu nome. Eu sou tu, e tu és eu.)
Importas-te de te calar?
(Quase tanto quanto tu te importas em me ouvir.)

Deixa-me!
(Não posso. Olha-te ao espelho.)
É a mim que vês.

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