domingo, 9 de agosto de 2015

Yu Gonpley Ste Odon (A tua luta terminou)




Escarneço o tempo que perdi,
Traindo forma de o recuperar.

Almejo que a audácia que me acompanha,
(Não!) Seja lucro de um sonho,
Mas um manejo de viver, de amar e um dia,
De morrer.
(De morrer, sim).

A vida termina aqui e em mim,
E mesmo que outra (não!) exista,
Esta que conheço, esta que aprendi (contigo) a viver,
(Não!) Será mais que uma recordação empoeirada
Na memória de um qualquer santo mexeriqueiro,
Que mais (não!) anseia por fazer do que espiar
Quem nada tem para lhe dar.

Alvoreceste velho,
E em ti jazigo.

De ti, já pouco mais resta do que pó.
Um pó feito de vidas,
De memórias de derrotas e vitórias,
De lutas que (nunca!) terminaram,
(Mas…) Que em si se extinguiram.

Alvorou velho,
Obscureceu novo,
Proferem eles.

Devia morrer-se de outra maneira,
Comentam eles.

Quem és tu,
E porque te eleges amor?

Tu morreste – e de ti, já nada restou se não pó.
Tu morreste (sim…) mas é em mim que jazes. 

2015

(Poema publicado na Antologia de Poesia Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho" Vol.VI da Chiado Editora)

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