quinta-feira, 30 de julho de 2015

Máscaras






Não te vou escrever mais nada.

Não quero sequer pensar em ti.
Todas as palavras usadas e gastas,
Todas as que te dediquei,
Foram inúteis.
Todas as que me dedicaste,
Hipócritas.

Não te vou escrever mais nada, não.
Será esta a última vez.
Que me lembrarei de ti,
E do que pensei que me tivesses dado.

Porque as palavras doem,
Ardem cá dentro,
Precisando de sair.

Porque de todas as máscaras,
A tua foi a pior,
A mais temida,
E a que mais ilusão criou.

E se olhares para mim,
Se um dia me perguntares como estou,
Estarei bem.
Estarei sem ti,
E sem o teu reino de promessas falsas.

Não creio que se matem monstros,
Não creio que eles desapareçam,
Existe sempre um cantinho
Onde eles se escondem,
Só para nos assustar de novo,
E de novo,
E de novo…

E tu perdes-te no medo.

Perdi-me em ti,
E encontrei-me,
Envolta em dramas que não são meus,
Em mentiras que nunca saberei a verdade,
Em doenças sem cura.

Cliché seria dizer que não o mereci,
Que não o vi.
Culpada serei de não o ter visto.
Merecedora, talvez não.
Da indiferença,
Da facilidade com que me disseste
O contrário do que eu acreditava.

Merecedora sim,
Da verdade.

E quando um dia olhares bem fundo
Para dentro de ti,
Quando já nem o espelho te disser quem és,
Lembra-te:

Comigo foste mais tu,
Do que tu conseguiste aguentar.

Agora foge,
Grita,
Ruge,
Sai.

Mas sorri comigo.
E guarda todas as lágrimas que eu chorei por ti.

Um dia vais precisar que elas te lembrem,
Quem tu és e o que queres.

Porque afinal,
Os monstros não precisam de amigos,
Só de si próprios,
E de quem os alimente.

Desculpa.

2015

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