quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Tollite me

Há caminhos que não têm escolha,
Que ao percorre-los,
Sabemos que não podemos voltar atrás.

Quando me perdi,
Procurei-me em ti.
Não foi justo:
Acabei por me perder mais,
E sinto que não me vou encontrar,
Porque de certa forma,
Esperei ser tua.

Mas não sou mais,
Que uma hóspede:
Que entra de rompante,
E tem hora marcada para sair.

Quanto ao preço,
Isso depende.
Será o meu coração suficiente,
Ou precisarei da minha alma?

Seja qual for o caso,
Continuarei a ser caloteira:
O meu coração pouco vale,
Está demasiado gasto,
Com biscates do passado.

A minha alma,
Está cansada,
E até velha,
Não paga uma vida.

Não te peço muito,
Mas de pouco não sei viver.
Ou és meu de corpo e alma,
Ou alugado...de pouco me serves.

E eu vou-me perdendo,
Umas vezes sei disso,
Outras o coração não avisa.

Mas a ilusão não me atinge a mente,
Não sou a escolhida.
Sou um patinho feio,
Que nunca será cisne.

De pouco me vale,
Tudo o que dizes que sou,
Quando nada me fazes valer.
Quando me fazes sentir que nada sou,
Que nada serei,
Mesmo que digas que valho tudo.

As palavras são o que são,
Nunca serão mais que sons.
Mas as atitudes...
Essas fazem de nós,
Tudo o que podemos ser.

Perdi honra,
Perdi dignidade,
Ganhei carinho,
Perdi o coração.

Mas se não sabias quem eu era,
Se não sabes quem sou,
Então nunca saberás quem poderei ser.

E tudo o que pensas que me dás,
Tudo o que pensas que sentes,
De nada valerão,
Quando as lágrimas aparecerem.

Não me alimento de palavras,
De esperanças infundadas,
De sentimentos doentios,
De inocências tardias.

E tudo o que oiço,
Tudo o que sinto,
É que estamos a dizer adeus,
Antes de podermos dizer olá.

2013

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