domingo, 27 de outubro de 2013

Segredos



Escrevo-te,
Não sabendo que sentido dar
A umas quantas palavras
Que não sei pronunciar.

És como uma boneca quebrada:
Linda, delicada, mas com medos
Que a tua inocência não perdoa
E o teu passado não esquece.

Que a minha analogia
Nem por sombras te ofenda:
Estar quebrada não te deixou inútil,
Tanto é que conseguiste descobrir
Em mim amor que eu não sabia ter.

A importância das nossas palavras
Não ficam esquecidas nos nossos gestos:
É lembrada cada vez que te olho nos olhos,
Ou cada vez que te tomo em meus braços.

Eu não vou a lado nenhum:
Não adianta que um dia me queiras fugir,
Os meus braços vão-te puxar para bem perto de mim
E lembrar-te que não estás sozinha.

Podes chorar comigo,
Podes sorrir comigo,
Podes amar,
Podes odiar.

Podes até gritar,
Espernear, mas não podes afastar-te.

Guardo em mim os desejos que não mostras,
O carinho que não queres sentir
Por meios que não queres mostrar.

Minha querida,
És forte!
Mais forte do que pensas,
Por seres vulnerável ao ponto
Da tua força não te proibir de chorar.

Os demónios do teu passado não me assustam:
Existem bichos-papão que não metem medo,
Desejos que não me desassossegam.

É inclusive, no meu sossego que
Eu vejo para além da tua máscara,
E quero continuar aqui.

Lamento que não consiga
Mostrar-te que a importância que me dás
Em nada fica atrás da que te ofereci:
O meu coração tem modos de o mostrar,
Que por vezes escapam á boca.

Mas não duvides,
Nem por um segundo,
Que não sinto o mesmo.

Obrigada por tudo:
Mas principalmente,
Por me seres tanto...
... com tão pouco.

És minha.

2013

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