quarta-feira, 20 de março de 2013

O Viajante




Sinto-me encurralada numa teia de valores.
O que queres de mim?
Não posso pagar pelos pecados dos outros.

Quando me olhas, que face vês?
Decerto não a minha,
Mas a de algum fantasma do passado.

Não espero nada de ti:
Nunca te exigi mais
Do que sei que me podes dar.

Então porque esperas que apague os teus pecados?
Porque esperas que carregue em mim,
As soluções que não consegues enxergar?

Eu nunca vou ser perfeita,
Não o quero ser,
Não preciso de o ser.

Sou única,
Eu própria,
E nunca mais
Ou menos que isso.

Diz-me, que palavras me usas?
Que gestos me destinas?
Em que pensamentos habito?
Mais!
Com qual rosto me queres?

O meu, ou
O que esperas que o tenha?

As palavras nada mais são do que isso
E os gestos que não existem,
Não podem provar
O que queres,
Apenas isso!
O que queres,
Que as palavras digam.

E queres que eu seja quem, diz-me?
Não mais eu,
mas tu?

Não mais eu,
Mas um qualquer fantasma do passado?

Procuras a felicidade,
Num sofrimento constante.
Há quem lhe chame esperança,

Não que sejas infantil,
Mas um sonhador:
Que entre sonhos e devaneios,
Me roubas a identidade.

Afinal, que face é a minha?
Já lhe reconheço alguns traços,
Mas fiquei demasiado parecida contigo.

O que queres de mim?

Na minha mente,
És um viajante.
Aqui e ali,
Aí estás tu.

Eu só te quero,
A ti,
E mostrar-te que
Não preciso de ser mais ninguém.

Apenas, dá-me uma razão.
Só te peço uma razão.


Construíste um muro,
Que não consigo quebrar
E me impede a visão
Dos teus desejos.

Eu só queria querer ficar contigo.
E que tu quisesses o mesmo.

Porque não sou tua?
Ó viajante...Eterno viajante.
Não te afastes muito,
Não te negues tanto.
Um dia, deixarás de ser viajante.

Assim como um dia eu deixarei de poder ser tua.

2013

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