quinta-feira, 31 de maio de 2012

Síndrome de Estocolmo


Raptada para um universo paralelo,
presa por correntes que não vejo,
que não me tocam,
mas que nem por isso
deixam de apertar cada músculo do meu corpo.

Não vejo mais que dois olhos,
famintos por afeição,
incrédulos perante a minha resistência
tão forte,
tão...muda.

Nada mais posso fazer,
que retribuir o olhar.
Mas aquele pulso firme
das correntes não em larga.

E enquanto me descasca a pele dos pulsos,
quebra-me também qualquer espécie de esperança.
Continuam invisíveis,
mas não indiferentes.

Aquela urgência que sinto em ti,
apenas me compele a fingir que sinto o mesmo.

Quando a força me abandona,
as correntes partem-se,
em mil pedacinhos,
que sinto serem esmagados
contra o meu respeitoso amor.

Cortam-me o peito,
sangram-me o coração,
e da minha boca nada mais se ouve
que um fraco "também gosto de ti".

Que mais posso dizer?
Estou presa em mim mesma,
e a todo um conjunto de coisas
a que chamo o teu nome.

Ás vezes,
penso em ti como uma abstracção.
Mas então voltam as correntes,
como um lembrete pessoal que me diz:
"Não, eu sou bem real".

E aos poucos,
deixo que o medo
expulse o meu corpo de si.
E a ténue linha que separa
a loucura da coerência é posta em causa.

És parte de mim,
ou já te pertenço por inteiro?

Nada mais posso dizer,
depois de tanto tempo,
que te gosto,
não é a ordem natural das coisas?

É nesta altura que penso no meu rapto
como um milagre,
um professor que me ensina a ser livre,
amarrando-me na sua teia de promessas
e objectivos jamais cumpridos,
mas guardados.

Que mais sou,
que um corpo com dono?
Então pois claro que te gosto!
Porque não? Óbvio que sim.

Acho que me habituei a isso.
Porque não gostar de ti?
Sempre o fiz na tua cabeça.

O que é real?

2012

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