quarta-feira, 23 de maio de 2012

Jogo de Cartas


Tento não pensar em ti,
Espancada com recordações,
Amordaçada com sorrisos,
Morta com promessas.
‘’Está tudo bem”.

Não, não está.
Como poderia estar?
Sinto as nódoas negras,
Espalhadas pelo meu corpo,
Invisíveis ao olho nú,
Apenas sentidas no meu coração.

Marcas que me magoam,
Todos os dias,
A toda a hora.

Dou por mim a chorar copiosamente,
Quando me encontro sozinha.
Serei egoísta?
Terei eu facilitado a tua saída da minha vida?

E tento não pensar em ti.
Mas como pedras,
Sinto memórias como pesos.
Olho as fotografias,
E vejo os nossos sorrisos.

E digo-te um adeus,
Demorado, imortal.
Como crianças a quem os pais
Colocam de castigo,
Pensas que isto é uma brincadeira…
Um “esconde-esconde” inevitável.

E sempre que te vejo,
É como se o ar deixasse de existir,
E sufoco…
Mas ninguém sente a minha dor,
Ninguém sente o meu desespero.

O sol não para de brilhar,
Ou a chuva de cair.
O mundo não parou,
A água corre lentamente,
Os pássaros cantam,
Os carros passam,
Nada muda.

Apenas eu.
E nem isso tu percebes.
Romance sem sorte,
Lagrimas de gelo,
Coração esculpido em pedra.

É assim tao fácil?
Estas assim tao feliz,
Que não te lembres de mim?

Afinal que fui eu,
Mais que uma pena,
Tao leve…
Que voando,
Ninguém nota?

Depenada contra vontade,
Mas que ingenuamente,
Aceita a derrota?

E tudo o que pensa,
É na tua felicidade,
Mesmo que nem penses,
Que eu possa ter uma.

“está tudo bem”.
Não, não está.

Será que um dia vais perceber isso?
Ou o teu amor,
Torna-te tão cego?

O céu mantem-se sobre a minha cabeça,
Mas o mundo desapareceu debaixo dos meus pés.
E tudo o que sinto,
É que passo a vida de joelhos,
Mesmo quando caio,
Numa queda vertiginosamente lenta.

E tento não pensar em ti.
Mas como no Poker,
O Bluff dá vitória
Mesmo a quem tem as piores cartas,
Apesar de outro jogador
Ter uma melhor mão…

Tu és um jogo de cartas.

2012

Sem comentários:

Enviar um comentário