quinta-feira, 5 de abril de 2012

John Doe


Não entres:
Abre a porta e deixa,
Deixa que te empurre,
Que te derrube
Dessa tua arrogância viciante.
Deixa que o chão te acarinhe,
E que eu me ponha sobre ti,
Deixa que te mostre o desejo,
Deixa…

Beija-me,
Não devagar,
Não depressa,
Mas com toda a força que
A tua vontade quiser.

Envolve o meu corpo com as tuas mãos,
Deixa que estas se demorem
Em qualquer sitio,
Em qualquer momento,
E que isso me faça rir.

Deixa que te morda,
Deixa que te magoe,
E move-me,
Vira-me,
Aperta-me,
Sente-me…

Investe toda a tua coragem,
Deixa que a luxuria se apodere de ti…
Que mais sou,
Que uma boneca nas tuas mãos?

Quero sentir,
Quero tocar,
Quero saborear,
Todo o teu desejo,
Toda a tua…paixão.

De porta aberta,
Explora-me.
Queres fechá-la?
Levanta-me,
E empurra-me contra ela,
Por entre beijos,
Ou mais que isso.

E as minhas mãos mergulham,
Na escuridão,
De encontro ao prazer,
Faz-me o mesmo.

Quero-me perder,
Mas que me encontres de cada vez,
E que me eleves ao máximo,
Que me podes derrubar.

Não sou mais que um brinquedo,
Mas atira-me de novo ao chão,
Deita-te sobre mim,
E faz-me esquecer
O ego.

Destrói-me qualquer ansia de sensibilidade,
Corroí-me cada pingo de ingenuidade,
Traí cada gesto de inocência perdido em mim.

Não!
Não me perguntes se estou bem!

Continua,
Voraz,
Por entre meus seios,
E nem te atrevas,
A fazer mais
Que assumir um demónio em mim.

Deixa que te implore,
Deixa que te tente,
No chão frio,
A chama aquece.

O incendio destrói
A insanidade da loucura
Gerada pelo prazer
E pela força.

Cala-te!
E dá-me o que eu quero.

Oh, não, não pares!
Eu faço o que queres,
Não sou eu que decido,
Prometo seguir as ordens,
Não sou eu que quero.

Decide tu,
A autoridade
Esta nas mãos
Dos que dominam
E não dos que se deixam dominar.

Possui-me,
Entrega-te.
E no fim,
Mais não penso,
Mais não quero pensar.

Mas desculpa,
Se uma pergunta não consigo evitar.
Esqueci-me de te a fazer há pouco.
Deixa que o teu olhar poise em mim.
Agora sim.

Afinal…como te chamas?

2012

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