sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sem titulo.


Lentamente a pele cai,
Deixando um invólucro vazio,
De textura estranha,
Que não deixa ninguém indiferente.

Os olhos marejados pouco vêm,
Os cabelos desgrenhados pouco apelam
Á beleza quiçá escondida,
Os músculos pouco sentem,
A dor que se avizinha.

E num claro dia,
Um abraço numa noite fria,
Um toque acidental com todo o propósito
E todos uns olhares irregulares.
Que me queres dizer?

Deus como queria eu dizer-te!
Não que te amo,
Pois é uma palavra violenta num certo contexto,
E provavelmente nem seria verdadeira,
Pois ainda não posso dizer que seja amor.

Mas quem me dera poder dizer-te…
Que os teus olhos são mágicos,
E me fazem sonhar acordada…
Que o teu jeito desajeitado me faz sorrir,
Que o teu rosto de menino
Só me faz querer tomar-te em meus braços
E dizer-te que tudo vai ficar bem…

Mas para que?
Porque to diria?
Porque te diria,
Que desde que te conheci,
Te quis?

Nem sei se irias acreditar,
Nem eu teria coragem de te contar.
Não te podia prometer o céu que mereces,
Não te podia pegar uma estrela,
Não te podia fazer viver num mundo
Onde as princesas são como nos contos de fadas…
Não.
Não tenho nada a oferecer-te.

Porque pensaria eu sequer,
Em querer que me olhasses de modo diferente?
Não tenho esse direito.

Mas como eu queria…
Como eu queria,
Dizer-te um dia,
O que sinto.

Não posso.
Não devo.

Não penses que és perfeito,
Só porque príncipe te assenta.
Mas a perfeição não é uma regra,
E continuas a ser príncipe.

Não to saberia dizer de outro jeito,
O modo como te vejo.
Não és o príncipe encantado,
Não tens um cavalo branco,
Nem vives num mundo cor de rosa,
Bem sei.

Mas és tu,
Príncipe aos meus olhos,
Que mesmo sem medalhas de bravura,
Ou um reino a defender,
Tomas em ti toda a coragem
Que o teu grande coração pode aguentar.

Podes não ser mais que muita gente,
Ou menos,
Mas és mais do que pensas,
Isso eu sei.
Desculpa,
Desculpa se minhas palavras te desiludem.

Corre-me nas veias o medo,
Que se apodera de mim
Ao pensar que ao lê-las,
Te possas afastar do que somos.

Sou impulsiva, sim.
Mas diz-me:
Como posso eu,
Esconder o que sinto,
Mas ouvir as tuas palavras de queixume,
Em como não tiveste alguém que goste de ti?

O meu coração berra : estou aqui!
Enquanto a boca diz: esse dia há-de chegar.

E assim,
Como mais te posso fazer feliz?
É tão estranho…

Vivo num mundo que não é o meu,
De um jeito que não sei usar,
De uma maneira pouco própria.

Quem me dera poder dizer-te…
2012

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