quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Princípio da Realidade


E se a vida fosse um filme?

Daqueles onde há sempre um vilão,
Um herói que o derruba,
E uma linda menina,
Que acaba nos braços do herói,
Numa cama de um hotel qualquer,
Jurando amor eterno.

E se o herói,
Não fosse um príncipe
De 1.80cm,
Moreno,
Musculado,
De olhos verdes?

E se a menina linda,
Não fosse assim tão linda,
Não fosse uma loira,
Alta de olhos azuis?

E se o vilão,
Não fosse o monstro,
Com cicatrizes na cara,
De guerras que venceu,
E a mancar de uma perna?

E se o quarto de hotel,
Se revelasse um canto numa praia,
Um banco de um carro,
Uma esquina qualquer?

Pior: e se o herói não matasse o vilão?
Se não ficasse com a menina linda?
E se o herói não gostasse da menina,
Ou a menina do herói,
E não houvesse juras de amor eterno?

E se, as grandes explosões,
E as ameaças á vida,
A correria e a adrenalina,
Não fossem mais,
Que a vida quotidiana?

Se tudo o que fosse um risco,
Fosse apenas um atravessar a estrada,
Uma torrada tempo de mais na torradeira,
Uma chuva forte que os molhasse ate aos ossos?

E se não houvesse aquele beijo,
Envolto em romance,
Em tensão sexual,
Num clima de total paixão e intimidade?

E se o amor não durasse para sempre?
Pois,
Não teria tanta piada.
Ninguém iria ao cinema,
Ninguém sairia de casa,

Para ver o falhado gordo,
Que trabalha como varredor,
Queima a torrada do pequeno-almoço,
E é, na verdade,
Casado com uma velha mulher,
Com olhos sujos,
E barriga feita pote de banhas.

Bem-vindos á vida real :)

2011

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