sábado, 1 de outubro de 2011

Sonhadora


Eu sei,
Eu sei que já o disse muitas,
Incontáveis vezes,
Mas repito,
Mas reforço…
Estou cansada.

Cansada de assistir,
Não tanto de fazer parte.
Porque nem sinto que faça.
Sou mais espectadora,
De mim própria e dos outros.

Há quem diga que existe um destino,
E que nada nem ninguém o consegue mudar.
E há quem diga que são os homens,
Os donos do seu próprio destino,
Podendo fazer dele o que bem entenderem.

Bem… eu defendo que são tudo fases,
Tudo crenças,
Tudo promessas…
… de coisa nenhuma.

A verdade, é que a gente vive,
A pensar no amanha.
E não tanto no hoje.

Será?

Que será que existe de tão bom,
No amanha, que não se possa ter já hoje?

Bem, não sei.
Perguntar é sempre mais fácil
Do que responder.

Mas e melhor perguntar,
A estar calado.

Fiz de ti a minha promessa,
Fiz de ti o meu pequeno milagre…
E como tal,
Fiz de ti uma ilusão,
E posteriormente,
Desilusão.

Mas não tomes isso,
Com tanto valor quanto eu lhe ponho.
As palavras por vezes falham,
Mais ainda que os próprios desejos.

Desiludiste-me, não por seres quem és,
Mas por quem eu pensava que eras.
Ou não.
A verdade é que não sei.

Queria saber consertar-te,
Mas não sei se existe tal conserto,
Porque nem sei se estas quebrado.

Sinto falta do ontem.
Mas não tanto como do hoje,
Que será um amanha.

Sinto falta de ti,
Mas também de mim,
E do que éramos,
Ou do que fui,
Contigo.

Ah sim!
Penso que acabou.
Mas ansiosa estou,
Para que algo me mostre que é mentira.

Como sempre…

De ilusões vivo,
De desilusões me alimento.

Preciso disso,
Preciso de ti.

Mas de algum modo,
És tu que me matas.
Porque?

Queria que fosse simples,
Queria… que não houvesse mais nada.

Queria a tua amizade.

Um dia.

Estou cansada,
Como disse.

Cansa mais viver num sonho,
Do que superar a realidade.

E eu não sou,
Nunca fui,
Nem nunca serei…

…mais do que uma sonhadora.

2011

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