quinta-feira, 15 de setembro de 2011

'Longe do mundo, mas perto de ti'


Tinha-te aqui.
Não aqui,
Não ali,
Mas aqui.

Não precisava de gritar ao mundo,
Ou percorrer as ruas da cidade,
Estavas aqui.

Não era preciso procurar-te,
Não era preciso chamar-te,
Porque não era preciso notar que estavas aqui,
Porque tu notavas,
Tu sabias onde eu estava.

Mas e agora, onde estas?

Se gritar o teu nome,
Tu ouves?
Se te procurar,
Tu deixas que te encontre?

Haverá espaço no teu mundo?

E as longas horas de conversa,
Transformaram-se em longos períodos de espera.

E os longos cumprimentos,
Tornaram-se vazios.

E as muitas palavras,
Mais não são que vulgares pareceres.

Fala-me do tempo.
Fala-me do mundo.
Se não quiseres falar de ti.

Fala-me da lua,
Fala-me do sol,
Se não quiseres falar de mim.

Fala-me da vida,
Fala-me da morte,
Se não quiseres falar de nós.

E foges de mim,
E foges do tempo,
E foges de um mundo,
Onde nunca quiseste entrar.
De que tens medo?
Ou será que não tens?

Mas qualquer palavra minha,
Que toque nesse assunto,
Proporciona ideias que não gostas de partilhar.

E assumes aquela posição,
De espada e escudo,
Diante do rosto.

Que me diz o teu sorriso?
Que te diz os teus olhos?

Brilham porque estão felizes,
Ou porque as lágrimas em si se reflectem?

Nada posso afirmar,
Porque nada posso provar,
Porque nada me deixas… tentar.

Amiga.
Que significa realmente essa palavra?

Efémero prazer de tortura,
Longínquo sentimento de pertença,
Cuidadosa sensação de encaixa,
Esmerada atenção e partilha.

Mas nada mais,
Nada menos,
Nada acima,
Nada abaixo.

Nada.

Quero voltar ao passado.

Fala comigo.

2011

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