quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Coma



Inerte.
Sinto a cabeça quente,
Molhada,
Exausta.

Oiço o som da água,
Que me afaga os cabelos,
E me escorre pelo ventre.

Cheiro o suave aroma que invade,
Subitamente,
A essência do meu ser…

E caio num estado comatoso,
De perfeita harmonia.

Deixo que a água me lave rosto,
Me limpe a alma.

De olhos fechados,
Nada mais quero que sentir,
Que apagar da minha memoria,
Outras vezes em que executei estes mesmos gestos…
…ao teu lado.

E ao abri-los, a ténue penumbra,
Na sua mais fina camada de injustiça,
Deixa-me como que quebrada,
Pela ausência,
Pela tua ausência.

A torneira é fechada com pesar,
E uma toalha logo aparece,
Como que a cobrir a vergonha que se me assombra.

Partis-te, sim.
Eu sei.

Mas o saber não atenua a dor,
Que se esconde no rosto,
Agora maltratado pelo quente,
Da água limpa,
Cristalina,
Porém suja,
Ingrata.

E em breve o frio assola o ardor
Que a minha pela amaina…

Onde te escondes?

Aqui.

Quem te levou de mim?

Eu.

2011

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