domingo, 13 de março de 2011

Conto de Fadas


E continuo a chorar,
Aquela tristeza infinita,
Que a dor no coração não controla,
E que a minha face
Teima em esconder.

Mas a crueldade da emoção,
Trespassa a minha alma.

Não há ninguém,
E rodeada de pessoas,
Sinto a solidão de uma vida
Amada pelo silencio,
E alimentada pela ilusão.

A esperança cruel,
Que respira através de mim,
Que deseja,
E deseja ainda mais,
O que nunca tive,
Não tenho,
Nem nunca terei.

E a vida passa por mim,
Como que esquecida,
Anestesiada pelo pavor,
Pela lembrança,
De pensamentos como estes,
Que nunca desaparecem.

E aquele príncipe,
Que viria salvar-me,
Nunca apareceu.

Aquele final feliz,
Nunca aconteceu.

A brusquidão da realidade,
Dura e crua,
Alerta os meus sentidos.

Sou quem sou,
Não quem quero,
Mas quem preciso.

Mas vivo sozinha,
Acompanhada de gritos mudos,
De palavras surdas,
De olhares cegos,
De afectos despegados.

E de desejos jamais revelados,
Mas muito,
Muito,
Apaixonados.

Quero um conto de fadas.

2011

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